Semana da Leitura - Choque de Leituras

Encontro com João Manuel Ribeiro


João M Ribeiro SL13 - slideshow

Poesia coletiva - 2.º A
Encontro com João Manuel Ribeiro

Fomos ao Centro Cultural
No dia 16 de abril,
a sala estava tão cheia
como as praias no Brasil.
 
Fomos ver um escritor,
de nome João Manuel Ribeiro.
Ele foi sempre tão divertido,
Eu acho-o muito porreiro.
 
Falou-nos da sua infância,
da qual guarda boas memórias,
de como o avô o ajudou
a inventar belas histórias.
 
Gosta muito de poesia,
escreve de forma engraçada,
sempre que estamos com ele,
acabamos à gargalhada.

Semana da Leitura, 4ºA

Na última terça-feira (dia 16 de abril), fomos à escola EB 2,3+S apresentar os poemas, no âmbito da Semana da Leitura. Os alunos estavam um pouco nervosos mas correu muito bem. Ninguém se enganou! No final, foram conhecer os diferentes espaços da escola.



 Aqui estão os poemas escolhidos:

 Apenas meninas:

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós.

E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho

Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.

Sophia de Mello B. Andresen




Apenas meninos:

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa


Grupos:


Fundo do Mar

No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.

Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.
Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.

Sophia de Mello Breyner Andresen







O castelo de areia

Fiz um castelo de areia
Mesmo à beirinha do mar
À espera que uma sereia
Ali quisesse morar.

Ó mar,
Ó mar…

Mas foi só um caranguejo
Que ali me foi visitar.

Ó mar,
Ó mar…

Mas foi só uma gaivota
Que ali me foi visitar.

Ó mar,
Ó mar…

E levou o meu castelo,
O meu castelo de areia
Para no mar morar nele
A minha linda sereia.


Luísa Ducla Soares







Barca Bela

Pescador da barca bela,
Onde vais pescar com ela,
Que é tão bela,
Oh pescador?

Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Oh pescador!

Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Oh pescador!

Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela,
Só de vê-la,
Oh pescador.

Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela
Foge dela
Oh pescador!

Almeida Garrett








Água peregrina

Água peregrina
Fina-flor do vento
Tua voz divina
Dá-me ainda alento.

Navios antigos
Há muito partiram
Os mastros vão lindos
As velas caíram.

No cais beira d, água
Meus olhos perdidos
Escutam a mágoa
Dos barcos esquecidos!

Que força ou perdão
Quer ainda levar
Todo o coração
Nas ondas do mar!

Ruy Cinatti







O ARQUIPÉLAGO DAS SEREIAS

Ó nau Catarineta,
em que andei no mar
por caminhos de ir,
nunca de voltar!

Veio a tempestade
perder-se do mundo,
fez-se o céu infindo,
fez-se o mar sem fundo!

Ai como era grande
o mundo e a vida
se a nau, tendo estrela,
vogava perdida!

E que lindas eram
lá em Portugal
aquelas meninas
no seu laranjal!

E o cavalo branco
também lá o via
que tão belo e alado
nenhum outro havia!

Mundo que não era,
terras nunca vistas!
Ó nau Catarineta
perdida no mar,
não te percas ainda,
vem-me cá buscar!

Branquinho da Fonseca





A rosa e o mar 

Eu gostaria de falar 
Da rosa brava e do mar.

A rosa é tão delicada,
O mar tão impetuoso,

que não sei como os juntar 
E convidar para o chá
Na casa breve do poema.

O melhor é não falar:
Sorrir-lhes só da janela.

Eugénio de Andrade